Buscar

Juiz bloqueia R$ 14,2 mi de investigados por esquema no Detran

Operação apura um esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro no Departamento Estadual de Trânsito

- FIQUE ATUALIZADO: PARTICIPE DO NOSSO GRUPO NO WHATSAPP E FIQUE BEM INFORMADO (NOTÍCIAS, VAGA DE EMPREGO, UTILIDADE PÚBLICA) -CLIQUE AQUI


A Justiça determinou o bloqueio de R$ 14,2 milhões em bens de 13 alvos de uma ação civil pública por ato de improbidade administrativa proveniente da Operação Bereré.

A decisão foi assinada no dia 20 de julho pelo juiz Bruno D’Oliveira Marques, da Vara Especializada em Ação Civil Pública e Popular. O processo corre em segredo de Justiça.

Foram alvos do bloqueio os deputados estaduais Eduardo Botelho (DEM), Ondanir Bortolini, o "Nininho" (PSD), e Romoaldo Junior (MDB), os ex-deputados Mauro Luiz Savi, João Malheiros e José Domingos Fraga, o ex-chefe da Casa Civil Paulo Taques e o ex-presidente do Detran, Teodoro Moreira Lopes.

Também foram atingidos pela decisão os empresários José Joaquim Souza Filho, Merison Marcos Amaro, Roque Anildo e Marcelo da Costa e Silva, além do advogado Antônio Eduardo da Costa e Silva.


A Bereré apura um esquema de fraude, desvio e lavagem de dinheiro no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-MT), na ordem de R$ 30 milhões, entre os anos de 2009 e 2015. No total, 58 pessoas são investigadas.

Na decisão, o juiz determinou a averbação de indisponibilidade em todas as matrículas de imóveis e direitos patrimoniais, bem como de veículos em nome dos acusados, até o montante bloqueado de cada um.

O empresário Marcelo da Costa e Silva e o deputado Eduardo Botelho foram os que sofreram o maior bloqueio de bens, no total de R$ 4,4 milhões e R$ 3,5 milhões, respectivamente. (Veja lista abaixo).

“Do exame preliminar do feito, constata-se que existem indícios que apontam o cometimento, em tese, de atos de improbidade administrativa, especialmente o enriquecimento ilícito de agentes públicos, bem como de terceiros que, com aqueles, teriam agido em comunhão de vontades”, afirmou o magistrado na decisão.

Os acusados também respondem a uma ação penal pelo caso.

Confira a lista:

Mauro Luiz Savi - R$ 1.390.416,00

José Eduardo Botelho – R$ 3.517.816.54

Paulo Zamar Taques – R$ 1.470.936,51

Teodoro Moreira Lopes – R$ 159.057,48

João Antônio Cuiabano Malheiros – R$ 55.052.50

Ondanir Bortolini – R$ 6.000,00

José Joaquim Souza Filho – R$ 35.000,00

José Domingos Fraga – R$ 100.000,00

Romoaldo Junior – R$ 33.000,000

Merison Marcos Amaro – R$ 463.063,09

Roque Anildo Reinheimmer (já falecido) - R$ 1.315.261,29

Antônio Eduardo da Costa e Silva – R$ 1.313.624,89

Marcelo da Costa e Silva – R$ 4.425.237,66

A Bereré

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual (MPE), os fatos vieram à tona a partir de colaborações premiadas de Teodoro Moreira Lopes, o “Dóia”, que foi indicado por Mauro Savi para a presidência do Detran-MT. Dóia revelou que a empresa FDL Fidúcia - hoje EIG Mercados - se ofereceu para a formular um contrato administrativo com o Detran para prestar o serviço de registro de contratos de alienação de veículos.

Em uma reunião, um dos sócios da empresa, a fim de garantir a prestação de serviços, teria se comprometido a repassar o valor equivalente ao pagamento de um mês às campanhas eleitorais do deputado Mauro Savi e do então governador Silval Barbosa. Os promotores dizem que a promessa teria sido cumprida no valor de R$ 750 mil para cada um dos candidatos, logo após a assinatura do contrato.

Consta nas investigações que, após a assinatura do contrato administrativo, "Mauro Savi, Claudemir Pereira dos Santos, Teodoro Lopes e outros investigados se organizaram a fim de garantir a continuidade do contrato, formando uma rede de proteção em troca do recebimento de vantagens pecuniárias da parte da FDL, propina na ordem de 30% do valor recebido pela FDL do Detran repassado por intermédio de empresas fantasmas que foram criadas em nome dos integrantes da rede de proteção do contrato".

"Esquema que teve continuidade com a mudança de Governo e a participação de Paulo César Zamar Taques e seu irmão Pedro Jorge Zamar Taques", afirmou a Promotoria.


THAIZA ASSUNÇÃO DA REDAÇÃO