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"Em 21 anos, é a primeira vez que vejo o lago secar assim", diz empresário do Manso

Sem chuvas, águas do Manso recuam 100 metros na faixa de areia, forçando empresários a se adaptarem

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A seca que atinge o Cerrado mato-grossense fez áreas turísticas do Lago do Manso aumentarem em mais de 100 metros as faixas de areia. O fenômeno é acompanhado de perto por moradores e empresários da região, que relatam presenciar, pela primeira vez em 21 anos, o recuo das águas. A redução do nível das águas fez aumentar o risco de navegação de alguns pontos da área alagada não desmatada, com o aparecimento de troncos de árvores e ilhas submersas.

Donos de marinas no Lago de Manso relatam que o nível da água diminuiu com maior intensidade nos últimos 12 meses. A região é uma das áreas do Cerrado mato-grossense prejudicado pela seca severa e pelas queimadas que ocorreram em 2020.

“Tem que chover. Só assim para melhorar. Estou aqui há 21 anos e é a primeira vez, desde a construção da hidrelétrica, que vejo o lago secar assim”, relata Altayr Fernandez, proprietário de uma das marinas instaladas na região.

No estabelecimento de Altayr a seca trouxe mudanças visíveis ao longo dos 200 metros da margem do rio que o empreendimento ocupa. “Antes da seca do ano passado, a distância da marina até a água era em torno de 50 a 60 metros. Agora, isso ampliou para uns 160 metros”, observa.

A seca do ano passado chegou junto com a crise ocasionada pela pandemia de covid-19. O espaço que antes acomodava até 500 pessoas nos finais de semana hoje oferta lazer para cerca de metade do público. “Muitos têm medo da pandemia, mas também há muita desinformação de que as areias estão sujas no Manso, mas não são em todos os estabelecimentos que isso acontece”, reclama.

A sujeira citada por Altayr são gravetos e resíduos que antes ficavam submersos no lago, mas voltaram à tona com a seca. “Aqui, a minha faixa de areia passa por limpeza para que não ocorra de alguém se machucar com algum graveto”.

O risco de queimadas também é uma ameaça que deixa os donos de negócios no lago de Manso atentos. Para reduzir o risco, proprietários realizaram o asseio no entorno dos imóveis. “Está tudo muito seco e temos que evitar o que aconteceu no ano passado”, recorda. Apesar dos ajustes do negócio, Altayr afirma que não reclama, “na minha praia estamos aplicando todas as medidas de biossegurança, mantemos o local limpo e a água está adequada para banho. A única coisa que espero é que essa chuva venha, acabe com essa poeira e recupere o rio”.


Atenção aos navegantes


Proprietários de embarcações guardadas em marinas do Lago de Manso têm relatado alguns sustos durante a navegação. Áreas elevadas e troncos de árvores têm aparecidos em alguns pontos do lago. Segundo os moradores, são locais em que haviam ‘ilhas’ e não foram desmatados antes da inundação. Com diminuição das águas do Lago, a embarcação pode encalhar e ter que ser puxada, sofrendo algumas avarias” alerta funcionário de uma das marinas instaladas no Manso.


Priscilla Silva

Estadão Mato Grosso